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Opinião

27/08/2019

Controle precoce de plantas daninhas na soja

Autor: Eng. –Agr. Dr. Mauro Antônio Rizzardi, Professor da Universidade de Passo Fundo, RS

Os meses de setembro e outubro são marcados pelo início da semeadura da soja nas diferentes regiões do Brasil. Nesta época, retornam questionamentos sobre qual a melhor estratégia para o controle de plantas daninhas, em pré ou pós-emergência.

De antemão é importante salientar que independente do controle ser realizado em pré ou pós-emergência é fundamental lembrar que a semeadura deve ser feita do limpo, ou seja, sem a presença de plantas emergidas antes da cultura. A forma de eliminá-las é por meio de um eficiente controle de pré-semeadura, com herbicidas específicos, na operação comumente chamada de “dessecação”.

O uso de herbicidas pré-emergentes teve uso amplo na soja, até meados dos anos 90. A partir de então aumentou o uso de herbicidas pós-emergentes, que culminaram com o advento da soja tolerante ao glifosato, que levou o produtor ao controle somente com este herbicida, que sabidamente tem seu efeito somente sobre plantas já emergidas. 

Atualmente, o retorno no uso de herbicidas pré-emergentes se faz premente pela necessidade de preservação do principal evento transgênico, tolerante ao glifosato. O uso destes herbicidas permitirá a redução de pelo menos uma aplicação do glifosato em pós-emergência da soja. Por consequência, reduzirá a pressão de seleção sobre as plantas daninhas e aumentará a viabilidade desta tecnologia, ou mesmo de outras que surgirão nos próximos anos, como a Enlist e Xtend. 

Além disso, estes herbicidas auxiliarão no controle de plantas daninhas tolerantes ou resistentes ao glifosato, atuando na diminuição no banco de sementes destas espécies daninhas, além de permitirem a rotação de mecanismos de ação. Esta prática faz com que haja a quebra da associação herbicida, planta daninha e atrase o surgimento de biótipos resistentes, por permitir o uso de herbicidas com características e mecanismos de ação diferentes do herbicida glifosato. 

Outro aspecto importante quando se fala de controle de plantas daninhas é a necessidade de eliminar a interferência que estas causam com a cultura. A principal interferência é a competição por água, luz e nutrientes, a qual acontece nos estádios iniciais da cultura.

Em relação ao fator luz, a competição se dá muito antes de ocorrer o sombreamento das plantas. Ou seja, a presença de plantas daninhas, altera além da quantidade a qualidade da luz incidente no solo e, assim afeta o desenvolvimento da cultura. Esta modificação na qualidade da luz é a responsável por muitas alterações morfológicas na arquitetura das plantas, como a diminuição das ramificações na soja. O menor número de ramificações traz como consequência a redução no número de nós por área, refletindo negativamente na produtividade da cultura.

O objetivo do controle é impedir que estas sinalizações entre plantas daninhas e cultura ocorram. A forma de evitar que isso ocorra é eliminar as plantas daninhas o mais cedo possível dentro do ciclo da cultura. Neste sentido, o uso de herbicidas pré-emergentes destaca-se como estratégia eficiente na eliminação da matocompetição inicial, pois estes possuem efeito residual que impede ou atrasa ao máximo possível a emergência das plantas daninhas na área.

No momento em que a emergência é atrasada, a cultura encontra as melhores condições para o seu estabelecimento, livre da competição por água, nutrientes e luz. É claro que novos fluxos de emergência poderão ocorrer, mas o primeiro fluxo, que é o mais competitivo já estará controlado. 

Neste aspecto, salienta-se a redução cada vez mais acentuada do ciclo da soja, onde o produtor prioriza cultivares de ciclo curto, inferior a 100 dias, para antecipar a semeadura do milho em sucessão à soja. Para estas cultivares a capacidade de recuperação é inferior, não tolerando a competição inicial de plantas daninhas.

Diante desses cenários de redução no ciclo da soja; aumento dos casos de resistência e necessidade de preservação da tecnologia de resistência ao glifosato  é fundamental a criação de um ambiente diversificado de controle, o qual inclui a inserção dos herbicidas pré-emergentes no programa de manejo de plantas daninhas na cultura da soja.

Mauro Antônio Rizzardi é Engenheiro Agrônomo pela Universidade de Passo Fundo , mestre e doutor em Fitotecnia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Atualmente é professor titular da Universidade de Passo Fundo. 

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