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Manejo Químico

Novos OGMs na cultura da soja

Oportunidades e desafios

Desde o início da agricultura, a presença de outras espécies vegetais junto à cultura de interesse é uma constante. Para diminuir estes efeitos negativos destas plantas consideradas daninhas, diferentes métodos foram sendo utilizados. Em um primeiro momento, utilizavam-se somente métodos mecânicos e culturais para o controle e, com o passar dos anos adotou-se o controle químico, com herbicidas como alternativa de manejo.

Em meados nos anos 1990, mais especificamente em 1996, nos Estados Unidos, o agricultor teve a sua disposição a primeira soja geneticamente modificada, tolerante ao herbicida glifosato, a qual passou a ser a estratégia mais utilizada para o controle seletivo de plantas daninhas nesta cultura. Posteriormente, esta tecnologia foi ampliada para o milho e o algodão. Esta tecnologia foi amplamente aceita pelos produtores pela sua facilidade de adoção e elevada eficiência no controle das plantas daninhas. Situação similar aconteceu no Brasil, a partir dos anos 2000, onde esta tecnologia passou a ser adotada em larga escala. Atualmente estima-se que mais de 90% da soja cultivada no Brasil seja tolerante ao glifosato.
 
A introdução da soja tolerante ao glifosato foi o primeiro organismo geneticamente modificado (OGM) usado em grande escala no auxílio ao controle de plantas daninhas. Porém, a elevada adoção dessa tecnologia, associada à falta de rotação herbicidas, com mecanismos de ação diferentes ao glifosato, acabou por acelerar a seleção de espécies daninhas resistentes, como o Azevém; Buva; Amargoso; Capim-pé- galinha, entre outras.

Diante desta realidade de aumento nos casos de resistência, surge no horizonte a disponibilidade de novas tecnologias de tolerância a outros mecanismos de ação de herbicidas que poderão, se bem ajustadas no sistema de cultivo do produtor, trazer benefícios a produção de culturas como a soja e o milho. Uma visão do cenário atual e futuro dos novos OGMs pode ser visualizada a seguir:

1. Soja RR 2 Intacta
Esta tecnologia já está sendo cultivada pelo agricultor, sendo uma evolução da soja RR, seja no que se refere à forma de inserção da bactéria na planta, onde substituiu-se a “biobalística” pela uso de “plasmídeos”, ou pela inserção da tecnologia Bt, para o controle de lagartas. A tolerância ao glifosato é similar a já existente na soja RR.



Representação da inserção da tolerância de plantas ao glifosato

2. Soja Cultivance
Esta tecnologia está liberada para o cultivo pela CTNBio. É exclusiva para a soja e com tolerância aos herbicidas inibidores da Acetolactato sintase, pertencentes ao grupo das imidazolinonas. Entre as novas tecnologia é a única que inclui herbicidas de uso em pré-emergência, com ação residual no solo. Não possui tolerância ao glifosato.


 
3. Soja Liberty Link (LL)
Nesta tecnologia foi inserida a tolerância herbicidas inibidores da glutamina sintase, sendo presente em culturas como a soja; milho e algodão. Já é uma tecnologia amplamente utilizada e aceita pelo produtor de algodão. No caso da soja já existem cultivares com elevada produtividade a disposição do produtor. Na tecnologia LL não está inserida a resistência a insetos, além de ser sensível ao herbicida glifosato.
 

4. Soja Enlist
A soja Enlist além de possuir resistência a lagartas também inclui tolerância aos herbicidas 2,4-D; glifosato e glufosinato de amônio. No caso da cultura do milho acrescenta-se a tolerância aos herbicidas inibidores da ACCase, do grupo ariloxifenoxipropionatos. Esta tecnologia está liberada pela CTNBio e deverá estar a disposição dos produtores nos próximos anos.
 


 
5. Soja Xtend
A soja Xtend é evolução das tecnologias RR e RR 2 , sendo tolerante além do glifosato, do herbicida auxínico Dicamba. A exemplo da soja RR 2 terá também a tecnologia Bt inserida nos seus cultivares. Está liberada pela CTNBio, mas ainda não disponível ao agricultor.


Representação do metabolismo de plantas tolerantes ao 2,4-D e Dicamba

6. Soja Balance
Esta tecnologia traz a inserção de tolerância aos herbicidas inibidores de carotenos, do grupo químico Hppd. Não possui tolerância ao glifosato. Entre todas as tecnologias descritas anteriormente, esta é a que levará mais tempo para estar disponível.

 
Assim, diante desta ampla oferta de novos OGMs, como será o manejo de plantas daninhas? Essa pergunta inclui várias respostas e estratégias que devem ser implantadas pelos agricultores.

Pela complexidade e diversidade de eventos inseridos em cada uma das tecnologias, será necessária adquirir o conhecimento das mesmas, com uma efetiva capacitação dos produtores para utilizá-las, mas acima de tudo para que ele possa tirar o máximo de proveito do uso das mesmas. A grande vantagem que o agricultor passa a ter refere-se as maiores opções de uso que estarão disponíveis, permitindo a adoção de práticas de rotação de eventos OGMs dentro da propriedade, o que poderá levar a rotação de herbicidas com diferentes mecanismos de ação.

Para que a rotação de eventos seja positiva o agricultor obrigatoriamente deverá realizar o planejamento detalhado e antecipado das culturas e cultivares que usará na área, mas dentro de uma visão de sistema, não mais em uma análise simplista de uma cultura única.

Estas novas tecnologias reforçam ainda mais a necessidade do uso das boas práticas de manejo da cultura e da aplicação dos herbicidas. Práticas como: aplicar o herbicida na dose correta e nos estádios iniciais de desenvolvimento da planta daninha, além do uso de práticas agrícolas que favoreçam o estabelecimento e desenvolvimento da cultura será de extrema importância.

Pela diferentes tolerâncias das culturas haverá a necessidade de se evoluir nos cuidados com as culturas sensíveis cultivadas próximas a essas tecnologias. A aplicação eficiente e cuidadosa dos herbicidas deverá ser reforçada, reduzindo os riscos de eventuais deslocamentos dos produtos para fora do alvo. Cuidados com a escolha da ponta de pulverização e volume de calda associada a uma boa tecnologia de aplicação serão fundamentais.
 
 

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